O Papa é POP?

twitter-on-smartphoneHoje fui surpreendido com a notícia que o Papa Bento XVI terá uma conta no twitter.

Parei pra pensar realmente nas estratégias que a igreja esta utilizando para reunir e tentar estreitar seu relacionamento com seus “clientes” fiéis. Será que isso é realmente um bom negócio?

A igreja, acaba hoje funcionando como qualquer empresa. Sua busca de “fidelização de marca” não difere das demais estratégias de comunicação aplicadas e praticadas por qualquer multinacional. Hoje a igreja católica concorre num mercado onde previamente era quase um “monopólio” no Brasil e hoje conta com vários concorrentes, as igrejas protestantes e espíritas entre outras contam já com uma boa fatia desse mercado. Isso sem contar outras tantas ideologias e crenças como Judaísmo, Ilsamismo e etc.

Segundo a Wikipedia o catolicismo romano conta ainda no Brasil com 64,6% dos fiéis, porém boa parte destes fiéis não são praticantes, o que faz com que a igreja busque formas de aproximação. Isso pode ser observado de forma clara na quantidade de encontros promovidos, visitas a comunidades e a abertura em certos posicionamentos onde a igreja preferia anteriormente fechar os olhos e simplesmente não se pronunciar.

O Papa Bento XVI tem 85 anos. Vem de uma geração com estilos de vida completamente diferente do que vivemos hoje. Viu em sua jornada de vida uma mudança muito grande do mundo em sua volta. O acesso a informação, o processo de apropriação de cultura do povo em geral, a grande massa lendo jornais, vendo revistas, lendo livros. Posteriormente a televisão com sua maneira particular de chegar com a informação de forma gratuita na casa das pessoas (que foi muito utilizada pelas outras igrejas, inclusive comprando redes inteiras de televisão para fidelizar seu público e controlar sua programação). Depois disso veio finalmente a internet, com todas as suas possibilidades de relacionamento rápido, direto e fácil.

O Papa já declarou oficialmente que não navega na internet, porém pede ocasionalmente para seus acessores que façam pesquisas sobre determinados temas na rede (processo normal, como qualquer “diretor” de empresa que não está habituado a este tipo de tecnologia solicitaria uma análise ou pesquisa de mercado na web). Porém o fato dessa criação de um “perfil” em um microblog já é um passo além, já consta como uma espécie de inclusão dentro de uma nova tipologia de canal de comunicação.

Quanto ao público em si, acho válido. Embora hoje ainda vivamos num mundo onde a internet não é para todos, muitos já tem um acesso ao menos regular. Ainda mais com a popularização de smartphones e tablets, o conteúdo gerado em redes sociais e microblogs ficou muito mais acessível e fácil. Pessoas buscam cada vez mais temas de seu interesse e interagem de forma ativa. Compartilham, comentam, idolatram e criticam.

Mas isso tem ligação com o Papa?

Acredito que hoje a comunicação está muito mais transparente, em todos os sentidos. Quando uma empresa cria um site na internet que permite interação, ou um perfil ou página em rede social, ou um microblog, tem que estar apta a dar a devida atenção que isso requere. Se você abre um canal, você tem obrigação de trabalhar nele. Buscando essa transparência exigida nos dias de hoje, vale lembrar que a AUTENTICIDADE e a VERDADE são premissas para que a comunicação seja acertiva e gere resultados.

Mas alguém consegue imaginar o Papa com um iPhone na mão, fazendo um tweet? Ou até mesmo ditando mensagem em até 140 caracteres para que um jovem acessor, ao seu lado, publique na rede? E sendo assim, ainda existe um outro lado: será dada realmente atenção às respostas que isso possa gerar na rede?

Não é difícil pensar em como isso poderia ser manipulado, sendo que o próprio Papa nem ao menos verá os tweets que “ele mesmo” faz.

Será isso verdadeiro o suficiente para que seja significativo?

O mesmo serve para tantas empresas, que querem entrar na internet, sem ao menos se perguntar se REALMENTE precisam estar na internet.
Investem em sites, criam perfis em orkut, facebook, twitter, google+ e poraí vai… e, por “falta de tempo” ou ate de saber como se portar nesse tipo de ambiente, abandonam.

Ter um canal aberto de relacionamento “vazio”, sem conteúdo e, principalmente, sem resposta vale 10 mil vezes contra. Muito pior do que não tê-lo, pois abrindo esse canal, seu cliente se sente confortável em tentar contatá-lo nesse meio e não tendo resposta, vem a decepção.

Primeiro é necessário desenhar uma estratégia de comunicação, que considera se é necessário sua inserção na internet, e se essa presença deve ser ativa ou passiva. Se deve ser apenas um site de representação de sua empresa no meio digital, ou se deve ter interação. Se deve ter mídias sociais envolvidas ou não. Tudo tendo em vista o objetivo de sua comunicação, aonde sua empresa quer chegar.

E logicamente, utilizar profissionais habilitados para exercer essas funções. Não deve ficar a cargo daquele estagiário que “manja tudo de internet”; a estratégia, criação e manutenção de relacionamento em mídias sociais. Este é um trabalho sério e exige gente que saiba realmente o que esteja fazendo.

E quanto ao Papa, deve realmente analisar se sua proposta de aproximação por twitter é autêntica.
A mim, soa falso. Desnecessário no contexto.

Se a igreja católica busca uma maior aproximação do público jovem, deveria ter escolhido um representante mais jovem, carismático e que tenha relação com esse público. Estar na rede só por estar, ou sem autenticidade… só joga contra!

Henrique Lantin



2 respostas para “O Papa é POP?”

  1. Olá Henrique,

    Bela análise. Interatividade está aí para aproximar, mas se a aproximação for ilegítima, a comunicação se perde e a credibilidade vai pro ralo.

    Basta entrar no twitter do Eike Batista e verá que ele mesmo responde as mensagens, ou ao menos finge muito bem.

    Um aspecto importante não mencionado: dentro do catolicismo, o Papa não é só um sacerdote espiritual, mas também um Santo.

    Os católicos fervorosos têm imagens do Papa na parede da sala, com auréola na cabeça. Sua “Santidade”, o Papa.

    Aproximar um “Santo” dos seus fiéis é talvez a atitude mais radical já praticada nos tempos modernos.

    O Papa não é pop.

    La garantia soy yo!

    • henrique disse:

      O fato do Papa também ser “Santo” realmente é bem relevante… Daqui a pouco rezar vai ficar mais fácil… vc encontra Deus no Facebook… e cutuca ele! 😉

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